NTN-B e proteção contra a inflação: ainda vale a pena em 2025? – Limite Liberado
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NTN-B e proteção contra a inflação: ainda vale a pena em 2025?

A busca por investimentos capazes de oferecer segurança e rentabilidade em cenários econômicos incertos sempre esteve no radar dos brasileiros. Entre as opções mais tradicionais do Tesouro Direto, os títulos NTN-B, conhecidos também como Tesouro IPCA+, ganharam destaque ao longo dos anos por oferecerem uma proteção direta contra a inflação.

Contudo, com a evolução da política monetária, mudanças nas projeções inflacionárias e uma nova dinâmica de juros reais em 2025, surge a dúvida: ainda vale a pena investir nesses papéis? O debate é relevante, pois envolve tanto a estratégia de preservação patrimonial quanto o aproveitamento de oportunidades em um mercado que hoje apresenta alternativas variadas para diferentes perfis de risco.

O que são os títulos NTN-B

As NTN-B, ou Tesouro IPCA+, são títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional com o objetivo de captar recursos e financiar as contas do governo. O diferencial desse investimento está na sua forma de remuneração: o investidor recebe a variação do IPCA acrescida de uma taxa de juros prefixada, que é definida no momento da compra.

Esse modelo faz com que as NTN-B funcionem como uma espécie de “seguro” contra a inflação. Mesmo que o índice de preços suba além das expectativas, o investidor garante que sua rentabilidade estará sempre acima da inflação.

A relevância histórica das NTN-B no Brasil

Ao longo da última década, as NTN-B foram protagonistas no portfólio de milhares de investidores. Em períodos de inflação elevada, especialmente em meados dos anos 2010, esses títulos se tornaram sinônimo de estabilidade, já que garantiam rendimento real em um ambiente de alta incerteza.

Além disso, fundos de pensão, seguradoras e investidores institucionais também utilizam amplamente os títulos indexados à inflação como forma de alinhar ativos e passivos de longo prazo. Essa característica fortalece a posição das NTN-B como um dos pilares do mercado de renda fixa brasileiro.

O cenário econômico de 2025

A análise sobre a atratividade das NTN-B não pode ser dissociada do cenário macroeconômico atual. Em 2025, o Brasil vive um ambiente de inflação mais controlada, em patamares inferiores aos observados nos anos anteriores. O Banco Central conseguiu, ao longo de 2023 e 2024, ancorar expectativas e estabilizar a trajetória dos preços.

Por outro lado, a taxa de juros real permanece elevada, reflexo da necessidade de atrair capital estrangeiro e manter o equilíbrio fiscal. Esse contexto cria um dilema para o investidor: embora a inflação esteja sob controle, os juros reais oferecem retornos interessantes em outras modalidades de renda fixa, o que gera competição direta com as NTN-B.

O papel das NTN-B em um cenário de inflação estável

Quando a inflação se encontra estável, o atrativo imediato das NTN-B pode parecer reduzido. Afinal, se o IPCA não apresenta surpresas, a remuneração adicional dos títulos se limita à taxa contratada. Nesse cenário, investimentos prefixados ou pós-fixados atrelados à Selic podem se mostrar igualmente competitivos.

Entretanto, é preciso considerar o horizonte de longo prazo. A inflação brasileira historicamente apresenta ciclos de alta, e não é incomum que choques de preços inesperados ocorram. Assim, manter uma parcela do portfólio em NTN-B é uma forma de proteção contra cenários adversos, mesmo que no curto prazo os ganhos não se destaquem frente a outras alternativas.

Comparação com outras alternativas de renda fixa

Em 2025, o investidor tem à disposição uma variedade maior de produtos que disputam espaço com as NTN-B. Entre eles estão os CDBs de bancos médios, as LCIs e LCAs isentas de imposto de renda, além das debêntures incentivadas. Muitos desses papéis oferecem taxas atrativas e liquidez relativamente satisfatória, dependendo do emissor e do prazo.

Outro ponto importante é a rentabilidade líquida. Como as NTN-B são tributadas pelo Imposto de Renda, é fundamental comparar a taxa oferecida com a de outros ativos. Por exemplo, em cenários de juros estáveis, uma LCI ou LCA de banco sólido pode superar o ganho líquido de uma NTN-B, sobretudo para prazos intermediários.